Higienização

A higienização do acervo é um dos procedimentos mais significativos existentes no processo de conservação de materiais bibliográficos uma vez que irá retirar do documento/obras os agentes responsáveis pela sua deterioração tais como: poeira, detritos de insecto, entre outros.

A operação técnica de higienização resume-se basicamente no manter o acervo limpo. Trata-se de uma operação extremamente fácil e simples de realizar e que condiciona o bom estado do acervo. Deverá ser considerada como um hábito de rotina na manutenção tanto de bibliotecas como arquivos, daí ser considerada a conservação preventiva por excelência.

A sujidade revela-se num agente de deterioração que mais afecta os documentos e, quando conjugada com condições ambientais inadequadas, provoca reacções de destruição de todos os suportes existentes num acervo.

A poeira é considerada como grande inimiga da conservação dos documentos uma vez que, contém partículas de areia que cortam e arranham; fuligem, mofo e inúmeras impurezas, atraem a humidade e degradam o papel. Desta forma, a poeira depositada dia após dia sobre os livros e documentos, causa sérios danos para a conservação do acervo. O seu acumular na superfície das obras, interfere no seu aspecto estético e constitui-se numa fonte de acidez e degradação. Desta forma, a higienização deve ser executada de forma sistemática, com o objectivo de manter o acervo livre dessa fonte contínua de acidez, deixando-o o mais saudável possível.

O método mais simples é a remoção do pó e demais sujidades a seco, denominada de higienização mecânica a seco. [Procedimento que consiste na remoção do pó das lombadas e partes externas dos livros com um aspirador de pó, utilizando-se baixa potência e com protecção na sucção. Na limpeza das folhas utilizam-se escovas macias e flanelas de algodão. De forma a realizar uma limpeza eficiente e sem riscos deve ser efectuada com pó de borracha através da sua aplicação em pequenas quantidades sobre as superfícies desejadas mediante movimentos suaves e circulares. Posteriormente, deverá ser removido com um pincel, devendo ser manuseado no sentido de baixo para cima, direccionando todos os resíduos, para que seja realizada a sucção existente na mesa própria de higienização de livros.]

A higienização corresponde à retirada de poeira e outros resíudos estranhos aos documentos, tais como: prendedores metálicos [clips], etiquetas, fitas adesivas, papéis e cartões ácidos, etc., através de técnicas apropriadas.

Segundo Cassares (2000), os materiais mais utilizados aquando de um processo de higienização são:

  • Pincéis;
  • Flanelas;
  • Aspirador de pó;
  • Bisturi, pinça, espátula, agulha, cotonete;
  • Borrachas de Vinil;
  • Raladores de plástico ou aço inox;
  • Fita-crepe, lápis de borracha;
  • Luvas látex e de algodão;
  • Máscaras;
  • Papel mata-borrão;
  • Pesos;
  • Poliéster;
  • Folhas de papel siliconado;
  • Microscópios;
  • Cola meticelulosa;
  • Lápis HB;
  • Etc.

Os procedimentos técnicos básicos para a actuação na área de higienização são:

  1. Manter uma política sistemática de limpeza de livros e estantes. A higienização do acervo possibilita identificar qualquer problema de início de contaminação do acervo por microorganismos e insectos, além de evitar o acúmular de pó nos livros e estantes;
  2. Examinar, cuidadosamente, todo o material que for incorporado ao acervo. Deverá ser realiado tanto nos livros adquiridos por doação, compra, permuta como também em móveis, sobretudo em mobiliário de madeira. Este acto de examinar torna-se deveras importante uma vez que evita a contaminação do acervo por livro ou móvel que esteja infectado.
  3. Limpar os livros com trinchas ou pincel nas áreas de cabeça (parte de cima), no pé (parte de baixo) e na lombada (parte lateral). Deve-se segurar o livro pelo ceontro com a lombada voltada para cima, para evitar que, no decorrer do processo de limpeza, o pó penetre pelas folhas. Os livros que forem incorporados ao acervo devem ter prioridade no processo de higienização; devendo ser limpos individualmente, folha a folha, forrando-se a mesa de trabalho com papel de tonalidade clara (braca de preferência= para possibilitar a identificação da sujidade removida) (o ideal seria utilizar uma mesa de higienização com sucção).
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  1. Reforçar a limpeza, com pincel ou trincha, no centro das folhas do livro. Tratra-se do local preferido pelos microorganismos para se desenvolverem e atacarem o papel. Deve-se essencialmente ao facto da lombada do livro ser coberta com uma espessa camada de cola, normalmente de base protéica, que se torna uma fonte potencial de alimento para os microorganismos.
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  1. Iniciar a higienização das estantes pela prateleira superior. A limpeza deve ser fieta com o auxílio de um aspirador de pó doméstico, de flanela ou perfex. Essa limpeza é denominada de limpeza a seco, uma vez que não utiliza vias aquosas de limpeza.
  2. Trabalho de higienização dos livros e das estantes deve ser feito de acordo uma escala de trabalho estabelecida. Por exemplo, inicialmente de 2 em 2 meses, de acordo com o tamanho do acervo.

Marina Yamashita e Fátima Paletta1 enunciam alguns procedimentos descritos detalhadamente relacionados com a higienização:

Em suma, a higienização consiste da limpeza de livros e documentos, propiciando a identificação e o controlo da proliferação de insectos bibliófagos e microorganismos. Desta forma, os documentos devem ser mantidos limpos, facto que leva a um aumento na vida útil dos mesmos. Para tal, o pó existente nas lombadas e partes extremas dos livros deve ser removido com aspirador de pó de baixa potência [com protecção na sucção] e aquando da limpeza das folhas deverá ser utilizado trinchas, escovas macias e flanelas de algodão.


Curiosidade: Higienização com sabonete neutro


Curiosidades

Higienização de acervo bibliográfico - Limpeza mecânica ou a seco:

  • Uso do aspirador de pó nas lombadas e cortes superior, inferior e lateral;
  • Nas estantes a limpeza das prateleiras e volumes deverá ser de cima para baixo e da esquerda para direita;
  • As prateleiras com volumes deverão ser limpas com um pano levemente humedecido numa solução de água e antibactericida (Lysoform), e em seguida, deve-se passar outro pano seco e aguardar a secagem total para posteriormente depositar novamente os documentos na prateleira;
  • Uso de trincha macia, para higienização das folhas internas;
  • Uso de bisturi, pinças, swab e espátulas para remoção mecânica de sujidades diversas;
  • Oxigenação dos volumes, ou seja, folhear o livro em forma de leque, da direita para a esquerda e vice-versa.

Limpeza do espaço físico

A limpeza do espaço físico dos acervos, deverá acontecer, por exemplo, da seguinte forma:

  • Passar pano levemente humedecido em água no chão, estantes vazias e mesas, três vezes por semana;
  • Quinzenalmente passar pano levemente humedecido, embebido numa solução de água e antibactericida (Lysoform),
  • Quinzenalmente fazer a limpeza utilizando o aspirador de pó robotizado, que contém recipiente com água aclopado que evita que as partículas de poeira retornem ao ambiente;
  • Nunca utilizar vassoura para varrer o chão;
  • O pano deve conter o mínimo de água possível;
  • Esse trabalho poderá ser realizado em qualquer horário, inclusive durante o expediente dos atendentes, não implicando nenhum problema para o desenvolvimento normal das actividades do acervo.
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